Verbo

Verbo

Verbo é uma palavra variável que exprime um fato, em geral uma ação, um estado ou um fenômeno, localizando-o no tempo. Eles são distribuídos em três diferentes grupos, chamados conjugações.

Conjugação Verbos no infinitivo impessoal terminados em Exemplos
-ar viajar, sonhar
-er viver, crescer
-ir sorrir, sentir

Os verbos terminados em or são considerados da 2ª conjugação, pois têm origem no antigo verbo poer. Exemplos: compor, propor.

A língua portuguesa possui aproximadamente onze mil verbos, dos quais mais de 90% são da 1ª conjugação.

Flexões

O verbo apresenta variação de número, de pessoa, de modo, de tempo e de voz.

Número

O verbo admite dois números:

  • singular: quando se refere a uma só pessoa ou coisa.
  • plural: quando tem por sujeito mais de uma pessoa ou coisa.

Pessoa

O verbo possui três pessoas, relacionadas com a pessoa gramatical que lhe serve de sujeito correspondendo ao pronome pessoal no singular ou no plural.

Número Pessoa Pronome pessoal Exemplo
Singular

1 ª
2 ª
3 ª

eu
tu
ele/ela

viajo
viajas
viaja

Plural 1 ª
2 ª
3 ª
nós
vós
eles/elas
viajamos
viajais
viajam

 

Modo e forma nominal

Chamam-se modos as diferentes formas que toma o verbo para indicar a atitude do falante em relação ao fato que enuncia, podendo indicar certeza, dúvida, suposição, mando, etc.

Há três modos em português:

  • indicativo: exprime certeza.
  • subjuntivo: exprime hipótese, suposição.
  • imperativo: indica ordem, pedido, sugestão.

Além desses três modos, existem formas nominais do verbo:

Existem formas nominais do verbo que enunciam simplesmente um fato, de maneira vaga, imprecisa, impessoal.

  • infinitivo:
    • impessoal (quando não tem sujeito): exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substantivo.
    • pessoal (quando tem sujeito)
      • flexionado
      • não-flexionado
  • gerúndio:
    • simples: expressa uma ação em curso.
    • composto: expressa uma ação concluída.
  • particípio:indica geralmente o  resultado de uma ação terminada.
Chamam-se formas nominais porque, sem embargo de sua significação verbal, podem desempenhar as funções próprias dos nomes substantivos e adjetivos.

 

Tempo

Tempo é a variação que indica o momento que se dá o fato expresso pelo verbo. Os três tempos naturais são :

  • pretérito (ou passado)
  • presente
  • futuro

O presente é indivisível, mas o pretérito e o futuro podem se subdividir conforme o modo, veja abaixo:

Modo Tempo

indicativo

  • presente:
  • pretérito
    • imperfeito
    • perfeito
      • simples
      • composto
    • mais-que-perfeito
      • simples
      • composto
  • futuro
    • do presente:
      • simples
      • composto
    • do pretérito:
      • simples
      • composto

subjuntivo

  • presente:
  • pretérito
    • imperfeito:
    • perfeito:
    • mais-que-perfeito:
  • futuro
    • presente
      • simples
      • composto

 

Adiante será feita uma abordagem sobre o emprego destes modos e tempos.

 

Voz

O fato expresso pelo verbo pode ser representado de três formas:

  • Voz ativa: praticado pelo sujeito.
    Por exemplo: O garçom serviu os convidados.
  • Voz passiva: quando sofrido pelo sujeito.
    Por exemplo: O cão foi alimentado pelo rapaz.
  • Voz reflexiva: quando o sujeito pratica e recebe a ação verbal ao mesmo tempo.
    Por exemplo: Ele feriu-se com a faca ao cortar a laranja.
Voz ativa: Serviu os convidados voz passiva: foi alimentado Feriu-se com a faca. Voz reflexiva

 

 

Verbos auxiliares

Os verbos auxiliares se juntam a uma forma nominal de outro verbo para constituir a voz passiva, os tempos compostos e as locuções verbais.

Os principais verbos auxiliares são:

  • ter
    "Tenho estudado muito esta semana".
  • haver
    "Ele havia chegado."
  • ser
    "Somos castigados pelos nossos erros"
  • estar
    "Ele estava navegando no site."

Emprego dos modos e dos tempos

Presente do indicativo

É empregado para:

  • expressar um fato no momento em que se fala:
    "Eu estou com sorte!"
  • verdades cientificas, dogmas, ações e estados permanentes:
    "Os corpos caem no vácuo com igual velocidade."
  • para dar vivacidade a fatos ocorridos no passado:
    "O combate demora-se."
  • para marcar um fato futuro, mas próximo.
    "Volto a semana que vem."

Pretérito imperfeito do indicativo

Expressa um fato passado, mas não concluído.
"Era noite, quando o trem parou na Central."

 

Pretérito perfeito do indicativo

Na forma simples: Indica um fato já ocorrido e concluído que se situa completo no passado:
"Sentei-me no chão, deitei-me na relva e me esqueci do mundo."

Na forma composta: Expressa um fato que teve início no passado e que pode se prolongar até o momento atual.
"Tenho estado rimando esta canção florida."

 

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo

Tanto na forma simples quanto na forma composta assinala um fato passado em relação a outro também no passado.
"Fomos ver o que ele tinha feito."
"Nascera na senzala."

 

Futuro do presente do indicativo

Na forma simples emprega-se:

  • para falar de ação ou acontecimento que provável ou certamente ocorrerá no futuro:
    "Eu passarei entre os dez primeiros".
  • para exprimir incerteza sobre fatos atuais:
    "Quem saberá do seu destino agora?"
  • como forma polida do presente
    "E eu vos direi: - Amai para entendê-las!"
  • como expressão de uma súplica, de um desejo, de uma ordem, caso em que o tom de voz pode atenuar ou reforçar o caráter imperativo.
    "Não matarás."

Na forma composta emprega-se:

  • para indicar que uma ação futura estará consumada antes de outra
    "Quando voltar, já terei concluído meus estudos."
  • para exprimir a certeza de uma ação futura
    "Até a prova, já teremos dominado o assunto."
  • para exprimir a possibilidade de um fato passado
    "Terá chegado a bicicleta que comprei pela internet?"

 

Futuro do pretérito do indicativo

Na forma simples emprega-se:

  • para enunciar ações posteriores à epoca de que se fala:
    "Dar minha opinião me engrandeceria."
  • para enunciar a incerteza sobre fatos passados:
    "A que distância estaríamos?"
  • como forma polida de presente, em geral, denotadora de desejo
    "Seríamos seguros sem um Estado?"
  • para denotar surpresa ou indignação
    "O nosso amor morreu...Quem o diria?"
  • quando se referem a fatos que não se realizaram e que provavelmente não se realizarão
    "Se o encontrasse na rua, passaria indiferente."

 

Na forma composta:

  • para enunciar um fato que poderia ter ocorrido posteriormente a um determinado fato passado.
    "Teria sido quem quisesse, se acreditasse em si mesmo."
  • para indicar a incerteza sobre fatos passados
    "Advinhava uma cena violenta que ele teria querido evitar."
  • para emprimir a possibilidade de um fato passado
    "Para onde teria ido?"

 

Presente do subjuntivo

Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual ou futuro:
"É melhor que eu não minta a você."

Pretérito imperfeito do subjuntivo

Pode ter um valor:

  • de um fato possível do passado, mas posterior a outro já ocorrido.
    "Se não largasse aquela mania de comer frituras e beber refrigerantes estaria mais esbelta."
  • possibilidade de um fato futuro:
    "Era provável que a ocasião aparecesse."
  • de um possível fato presente
    "Tivesses coração, teria tudo."

Pretérito perfeito do subjuntivo

Expressa um fato supostamente terminado num momento passado ou terminado a outro fato no futuro:
"Impossível dizer que o ramancista haja procedido mal."
"Espero que o marceneiro tenha terminado a obra."

Pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo

Expressa um fato que poderia ter ocorrido antes de outro fato já terminado:
"Se ele tivesse escutado o conselho do capitão Barros, seria um homem."

 

Futuro do presente do subjuntivo (ou apenas futuro do subjuntivo)

Na forma simples marca um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual:
"Se puder, voltarei."

Na forma composta indica um fato posterior ao momento atual mas já terminado antes de outro fato futuro (dentro do sentido geral do modo subjuntivo) :
"Peço-lhe que não leia este livro, ou, se o houver lido até aqui, abandone o resto."

 

Emprego do modo imperativo

Imperativo: leve 3 pague 2

Em português há dois imperativos:

  • afirmativo.
    Por exemplo: Sejam prudentes.
  • negativo.
    Por exemplo: Não clameis por sua sorte!

Ambos podem exprimir:

  • uma ordem:
    "Abre essa rede, digo-te."
  • um conselho:
    "Dorme. Sonha. Desperta."
  • uma solicitação:
    "Acende o teu sorriso."
  • uma súplica:
    "Deixai-me dormir agora."
  • pode ser usado também para sugerir uma hipótese:
    "Suprima a vírgula, e o sentido ficará mais claro."
O afirmativo possui formas próprias somente para a segunda pessoa do singular (sujeito tu). As demais pessoas são expressas pelas formas correspondentes do presente do subjuntivo. Já o imperativo negativo não possui nenhuma forma própria. É integralmente suprido pelo presente do indicativo.

Emprego das formas nominais

As formas nominais do verbo não exprimem por si nem o tempo nem o modo. O seu valor temporal e modal está sempre em dependência do contexto em que aparecem.

Infinitivo

Exprime a ideia da ação, aproximando-se do substantivo. Possui duas formas:

  • simples
    "Escrever."
  • composta
    "Ter escrito."

Na forma composta exprime a ação concluída.

 

Gerúndio

O gerúndio é invariável e também apresenta duas formas:

  • simples: expressa uma ação em curso.
    "Escrevendo."
  • composta: indica uma ação concuída anteriormente.
    "Tendo escrito."

 

Particípio

O particípio não se flexiona em pessoa. Emprega-se:

  • com os verbos auxiliares ter e haver para formar os tempos compostos da voz ativa:
    "Tenho dito."
  • com o auxiliar ser, para formar os tempos da voz passiva.
    "Seja lido."
  • com o auxiliar estar para formar tempos da voz passiva.
    "Estava feito."
O particípio não indica por si próprio o tempo da ação. Só o contexto pode indicar a sua relação temporal.

 

Elementos estruturais dos verbos

No verbo deve-se distinguir o radical, que é o elemento básico, normalmente invariável, e a terminação, que varia para indicar o tempo e o modo, a pessoa e o número. Exemplos:

radical terminação terminação
cant- ar avas
vend- er ia
part- ir imos

Na terminação ou parte flexionada do verbo, encontra-se pelo menos um dos seguintes elementos:

  • vogal temática: caracteriza a conjugação do verbo (1ª, 2ª, 3ª)
  • desinência modo-temporal: indica o modo e o tempo do verbo
  • desinência número-pessoal : configura o número e a pessoa.

Conjugações

Conjugar um verbo é dizê-lo em todos os modos, tempos, pessoas números e vozes. O agrupamento de todas essas flexões, segundo uma ordem determinada, chama-se conjugação.

Como já foi citado anteriormente, há três conjugações em português, que são caracterizadas pela vogal temática.

  • 1 ª conjugação: compreende os verbos que têm a vogal temática a
  • 2ª conjugação: compreende os verbos que têm a vogal temática e
  • 3ª conjugação: compreende os verbos que têm a vogal temática i

Como as vogais temáticas se apresentam com maior nitidez no infinitivo, costuma-se indicar pela terminação deste mais o sufixo r a conjugação a que pertence dado verbo.

Ao radical acrescido de vogal temática chama-se tema.

Verbos regulares e irregulares

Em relação à conjugação, os verbos são dividos em:

  • regulares: que seguem um paradigma ou modelo comum de conjugação, mantendo o radical invariável.
  • irrgulares: os que sofrem alterações no radical e/ou nas terminações, afastando-se do paradigma.
  • defectivos: os que não possuem conjugação completa, não sendo usados em certos modos, tempos ou pessoas.

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